segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

tempos texto da menina lua =)

"O tempo cura tudo.", "Dá tempo ao tempo.", "O tempo é o melhor conselheiro.", ouço dizer, desde pequenina, eu acho... Mas fui obrigada a ir crescendo e, como diz o Principezinho, as pessoas grandes são tão esquisitas! Agora, percebo estas palavras: as pessoas crescidas nunca têm tempo para o essencial; ou então, acham que têm sempre todo o tempo para viver, até ao dia em que o tempo se esgota e elas são invadidas pelo sentimento de culpa e arrependimento: ou porque não sorriram tantas vezes como deveriam, de acordo com as coisas tão bonitas que Ele lá em cima nos dá todos os dias; ou porque não aproveitaram os finais-de-tarde, com aquele pôr-do-sol que nunca é igual; ou porque não sentiram as noites de lua, aquelas que chamam por estrelas que fazem magia com o seu brilho; ou porque não souberam acolher os sorrisos de crianças que passam por nós na rua, para nos aquecerem o coração, naquelas tardes frias e chuvosas de Inverno; ou porque não aproveitaram o quentinho da lareira, do cobertor e do abraço, naquelas noites tão geladas; ou porque um livro é apenas mais um passatempo, e não um amigo, um companheiro ou uma espécie de professor-sábio; ou porque permitiram que a pressa, o stress e as preocupações do dia-a-dia as impedisse de reparar naquela flor que foi posta no nosso caminho para nos dizer "Olá! Eu estou aqui, para ti.", naqueles dias em que parecemos invisíveis; ou porque as confusões de um mundo tão ele mesmo confuso, conseguiram roubar-lhes aqueles pequenos e raros momentos de paz e de silêncio, indispensáveis a uma abstracção de tudo o que nos rodeia; ou porque os orgulhos, as mágoas e as faltas de paciência foram sempre superiores a um amar e abraçar de coração; ou porque não sentiram; ou porque, tão triste e simplesmente, não viveram.
O meu pai tem, numa parede do escritório cá de casa, uma folha de papel com aquelas frases feitas: "Vive cada dia como se fosse o último, pois um dia destes vai ser mesmo.", "Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro.", entre outras. Eu nunca dei importância a essa folha e, para mim, as frases feitas perdem o significado de tão repetidas que são. Mas hoje, sem saber bem porquê, parei em frente a essa parede e li, muito devagarinho, cada uma das frases... É incrível a forma como uma simples maneira diferente de olhar para uma coisa, pode mudar a importância que lhe atribuímos de todas as outras vezes que se cruzou connosco!... (Frase sem sentido, peço desculpa.) Só porque me apercebi de que tenho poucos anos de vida e, supostamente, tanto ainda por viver, e sinto que perco um bocadinho de tudo todos os dias: pelo simples facto de ser como sou, por ser assim... (Se eu (ainda) acreditasse em milagres, pedia muito que me tirassem de mim, por favor!) Um bocadinho ontem, um bocadinho de hoje, um bocadinho de amanhã, pensamos que não faz mal; e no final de tudo (seja esse final quando for e o que for...), o resultado é uma caixa gigante, cheia de vazios, momentos, abraços, sorrisos, gestos, viagens, músicas, silêncios, (des)amores, histórias; enfim, todo um conjunto enorme de pedaços de vida(s) que poderiam ter feito toda a diferença...
A verdade é que eu sinto o tempo a escapar-me por entre os dedos, como se de grãos de areia ele se tratasse... E com ele, os momentos, os sentimentos, as pessoas, o mundo. Sabem como vivem os vulcões? Acumulam, durante anos e anos, pedras, coisas e mais coisinhas, enquanto nós, cá fora, achamos que ele está controlado, calmo e que não temos de nos preocupar. Até ao dia em que ele, de repente, se revolta e entra em erupção, libertando tudo aquilo que foi acolhendo dentro dele, durante anos e anos!... E então? Vazio, tudo perdido, até solidificar e, de certo modo, ficar sem vida. Se calhar, eu também sou um bocadinho assim, mas, quando expludo, liberto tudo o que acumulei de mau, mas também de bom. E não gosto dessa sensação do vazio, da dúvida, da incerteza, da insegurança, do desespero... (Da solidificação, percebem? Não.) O que é que eu libertei, afinal? O que é que ficou? O que é que me resta? E agora, o que faço? Ir atrás do que foi ou lutar pelo que ficou? E porquê? Bolas, que mania que o Ser Humano tem de questionar e de complicar tudo, de perder o tal tempo com coisas que poderiam ser resolvidas com tanta simplicidade e clareza!... Eu não gosto de ser assim, mas sou um Ser Humano e, (in)felizmente, sou dotada da grande característica que dizem distinguir-nos do Ser Animal: a consciência, o racional, o poder de pensar. As pessoas são egoístas, eu sou egoísta! E há pessoas más, também. E sabem por que é que isso é possível? Porque temos mente, temos a racionalidade que nos permite pensar e agir, de acordo com os nossos interesses, com os nossos orgulhos, com os nossos objectivos... E os outros, importam?
Já divaguei demais, eu acho. Eu estou perdida, mesmo... E eu só queria dizer que sinto que tudo está a fugir da minha mão: eu, tu, ela(s), ele(s), vocês, os momentos, os sorrisos, os gestos, os sentimentos, o mundo, a vida. ... E que nem o tempo está a ser capaz de me ajudar, como sempre me prometeram que ele o faria... Serão (os) tempos adversos?

Então, eu peço um desejo à única (e última?) estrela que me resta: deixa-me voltar a ser pequenina, para conseguir achar que o mundo é bonito, que o tempo é infinito e que posso sorrir com o coração!...


(E agora, eu só queria um abraço; um abraço daqueles sem fim, onde podemos dormir e sonhar com as Princesas do Céu e os Principezinhos que amam e voam em bolinhas de sabão que não rebentam, nunca... O abraço, percebes? O teu abraço.)